NRBQ: Agentes Biológicos

Neste segundo artigo dedicado à temática NRBQ visitamos os agentes biológicos (AB) apresentando, de forma geral, as suas características e efeitos.

São considerados AB, os organismos patogénicos ou produtos tóxicos produzidos através de organismos vivos cuja finalidade, em operações militares, seja matar ou incapacitar um indivíduo.

PROPRIEDADES

Os agentes biológicos são classificados como letais ou incapacitantes, de acordo com os efeitos que provocam no organismo humano. As principais características de um AB são a facilidade de produção, a toxicidade, a patogenicidade e a estabilidade durante o processamento, armazenamento e disseminação.

Como já referido para os agentes químicos, os efeitos meteorológicos têm um grande impacto na eficácia dos AB e, por essa razão, serão abordados em artigo próprio.

Estado físico

Os AB podem ser preparados e usados nos estados líquido e sólido. Os agentes no estado líquido, embora mais simples de produzir, não são tão eficazes; já os agentes no estado sólido apresentam mais eficácia, mas são mais complexos de produzir.

Meios de disseminação

Para disseminar agentes biológicos vários métodos podem ser utilizados, estando estes agrupados pelo tipo de dispersão. Num ambiente bélico o meio mais usual será o recurso a munições (bombas, dispensers, mísseis, rockets, minas, etc), num ambiente de paz o método principal será a disseminação com recurso a aparelhos improvisados (latas de spray adulteradas, por exemplo), disseminação aleatória (sabotagem, usando direção do vento, contaminação de água e/ou alimentos, etc) ou usando vectores animais.

Insectos usados como vector de disseminação.
Vias de entrada / exposição

Como para os agentes químicos, as vias de exposição mais comuns para os AB são a inalação, ingestão e absorção cutânea.

Representação das vias de exposição (ingestão/inalação/absorção cutânea)
Período de incubação

De forma concisa, e de acordo com a direção geral de saúde, o período de incubação pode ser definido como o tempo que decorre entre o momento em que uma pessoa é infectada e o aparecimento dos primeiros sintomas.

Indicadores de ataque

Os indicadores de uma ataque com recurso a AB estão condicionados, além da sintomatologia do agente utilizado, pelo seu período de incubação, podendo alguns sintomas demorar a aparecer. Ainda assim, de forma geral, os indicadores são:

  • Número anormal de pessoas ou animais mortos ou doentes,
  • Casos de multi-vitimas com sinais e sintomas semelhantes,
  • Disseminação de aerossóis suspeitos,
  • Recipientes de spray abandonados,
  • Doença incomum para a área geográfica,
  • Vitimas “alinhadas” com direção do vento,
  • Mais vitimas no exterior que no interior.

CLASSES DOS AGENTES

Os AB podem ser divididos em cinco grandes classes: bactérias, vírus, toxinas, parasitas e fungos.

Principais exemplos de AB: Antrax, cólera e peste (bactérias); ébola e varíola (vírus); botulismo e rícino (toxinas).

De seguida iremos explorar um pouco mais o Antrax e o Rícinio. O primeiro tornou-se “famoso” com as cartas, contendo esporos da bactéria, que causaram 5 mortos nos Estados Unidos da América em 2001. Já o segundo existe de forma abundante no nosso país, muitos já devem ter visto a planta de rícino e as suas sementes vermelhas.

Planta de rícino (“Ricinus communis“).
Antrax (“bacillus anthracis“)

Tipos: Mediante a via de entrada a infecção por antrax pode ser considerada como cutânea (ex: através de cortes na pela), intestinal (ex: ingestão de comida contaminada), pulmonar (ex: inalação de esporos) ou por injecção (ex: uso de seringas para aplicação intra muscular).

Incubação: 1 a 7 dias, podendo mesmo atingir os 43 dias dependendo do tipo de infecção.

Taxa de mortalidade: cutâneo: 20% (com tratamento 1%); intestinal: 25 a 60%; pulmonar: 97% (com tratamento 75%).

Sintomas do antrax cutâneo: pequenas bolhas ou protuberâncias, inchaço pode ocorrer ao redor da ferida, ferida cutânea indolor (úlcera) com um centro escuro que aparece depois das pequenas bolhas ou protuberâncias. Na maioria das vezes, a ferida aparece no rosto, pescoço, braços ou mãos.

Sintomas do antrax instestinal: Febre e calafrios, inchaço do pescoço ou glândulas do pescoço, dor de garganta e de cabeça, rouquidão, náuseas e vómito (com sangue), diarreia ou diarreia com sangue, rubor (vermelhidão) e olhos vermelhos, dor no estômago, desmaios, abdómen inchado.

Sintomas do antrax pulmonar: Febre e calafrios, dificuldade respiratória, confusão, tosse, náuseas, vómitos ou dor de estômago, dor de cabeça e do corpo, transpiração excessiva, cansaço extremo.

Sintomas do antrax por injecção: Febre e calafrios, pequenas bolhas ou protuberâncias no local da injecção, ferida cutânea indolor com um centro escuro, inchaço ao redor da ferida, abcessos nas camadas mais profundas da pele ou nos músculos atingidos pela injecção.

Notas: No noroeste da Escócia, a pequena Ilha de Gruinard, local escolhido pelos ingleses para testarem armas de Antrax entre 1942 e 1943, esteve em quarentena durante 48 anos, até ser considerada “segura” para repovoação em 1990. [mais informação aqui]

Foto da sinalização existente na Ilha de Gruinard.
Rícinio

Tipos: O rícino é uma potente citotoxina que, de forma simples, impede as células infectadas de produzir s proteínas que necessitam para sobreviver. Os seus efeitos dependem da via de exposição (inalação, ingestão ou – a mais incomum – injecção).

Incubação: 6 a 8 horas dependendo da via de entrada (inalação/ingestão).

Taxa de mortalidade: superior a 90%, num período de 36 a 72 horas após exposição.

Sintomas do rícino por ingestão: Náuseas, vómitos, dor abdominal, diarreia com sangue, sede, midríase e pouca produção de urina (falha nos rins).

Sintomas do rícino por inalação: Febre, tosse, dificuldades respiratórias, aperto no peito, transpiração excessiva, cianose e edema pulmonar.

OS AB E OS AGENTES DE PROTEÇÃO CIVIL

Casos recentes, como o incêndio num laboratório russo que armazena o vírus varíola e ébola, mostram que os agentes de proteção civil (APC) devem estar familiarizados com este tipo de agente, procurando conhecer os seus sinais e sintomas para poder reconhecer a presença dos indicadores de uma libertação (intencional ou não) num teatro de operações.

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