Matérias Tóxicas e Infeciosas

Continuando a escalar a lista das classes do livro laranja das Nações Unidas esta semana temos as matérias tóxicas (6.1) e as infeciosas (6.2). A capacidade de causar efeitos nocivos aos seres vivos é a principal característica destas matérias.

Classe 6.1 – Matérias TÓXICAS

Matérias das quais se sabe, por experiência, ou das quais se pode admitir, a partir de experiências feitas com animais, que elas podem, em quantidade relativamente fraca, numa ação única ou de curta duração, prejudicar a saúde das pessoas ou causar a morte por ingestão, inalação ou por absorção cutânea.

Representação das vias de exposição (ingestão/inalação/absorção cutânea)

SUBDIVISÃO DA CLASSE 6.1

T – Matérias tóxicas sem perigo subsidiário;

T1 – Orgânicas, líquidas;

T2 – Orgânicas, sólidas;

T3 – Organometálicas;

T4 – Inorgânicas, líquidas;

T5 – Inorgânicas, sólidas;

T6 – Pesticidas, líquidas;

T7 – Pesticidas, sólidas;

T8 – Amostras;

T9 – Outras matérias tóxicas;

T10 – Objetos;

TF – Matérias tóxicas, inflamáveis;

TF1 – Líquidas;

TF2 – Líquidas, pesticidas;

TF3 – Sólidas;

TS – Matérias tóxicas susceptíveis de auto-aquecimento, sólidas;

TW – Matérias tóxicas que, em contacto com a água, libertam gases inflamáveis;

TW1 – Líquidas;

TW2 – Sólidas;

TO – Matérias tóxicas comburentes;

TO1 – Líquidas;

TO2 – Sólidas;

TC – Matérias tóxicas corrosivas;

TC1 – Orgânicas, líquidas;

TC2 – Orgânicas, sólidas;

TC3 – Inorgânicas, líquidas;

TC4 – Inorgânicas, sólidas;

TFC – Matérias tóxicas, inflamáveis e corrosivas;

TFW – Matérias tóxicas inflamáveis que, em contacto com a água, libertam gases inflamáveis.

CLASSE 6.1 – INTERVENÇÃO

Voltando a associar a doutrina da International Fire Service Training Association (IFSTA) com a versão mais recente do ERG, em caso de incidente com matérias da classe 6.1 e dividindo o cenário em situação com ausência e presença de fogo, pode-se considerar as seguintes opções para os agentes de proteção civil (APC) que atuem como primeiros intervenientes (“first responders“):

Incidente sem presença de fogo: isolar e evacuar 50 metros em todas as direções (o ERG aconselha 50 metros para líquidos e 25 metros para sólidos), criar diques de contenção para prevenir que as matérias se introduzam em esgotos, canais de água, caves e espaços confinados. Em caso de fuga de substância sólida cobrir com um “oleado” de plástico para manter a matéria seca e prevenir que se espalhe. Evitar projecção de água para o interior dos contentores.

Incidente com presença de fogo: isolar e evacuar 800 metros em todas as direções, manter distância de segurança do foco do incêndio, proteger as exposições e deixar as matérias envolvidas serem consumidas pelo fogo. Em caso de combate às chamas, criar diques de contenção para prevenir que as águas resultantes se introduzam em esgotos e canais de água.

Classe 6.2 – MATÉRIAS INFECIOSAS

Matérias que se sabe ou de que se tenha razões para crer que contêm agentes patogénicos. Estes agentes são definidos como microorganismos (incluindo as bactérias, os vírus, as rickettsias, os parasitas ou os fungos) e outros agentes tais como os priões, que possam provocar doenças aos seres humanos ou animais.

Exemplo de acondicionamento de matéria da classe 6.2 para transporte.

SUBDIVISÃO DA CLASSE 6.2

I1 – Matérias infeciosas para os seres humanos;

I2 – Matérias infeciosas para os animais;

I3 – Resíduos hospitalares;

I4 – Matérias biológicas.

CLASSE 6.2 – INTERVENÇÃO

Aplicando o enquadramento IFSTA+ERG agora em caso de incidente com matérias da classe 6.2 e mantendo a divisão do cenário em situação com ausência e presença de fogo, pode-se considerar as seguintes opções para os APC enquanto first responders:

Incidente sem presença de fogo: isolar e evacuar 25 metros em todas as direções, cobrir as embalagens danificadas ou substâncias derramadas com toalhas embebidas (preferencialmente) em lixívia. Nunca tocar em embalagens danificadas.

Incidente com presença de fogo: isolar e evacuar 25 metros em todas as direções, proteger as exposições e deixar as matérias envolvidas serem consumidas pelo fogo.

SINALIZAÇÃO DAS CLASSES 6.1 / 6.2 [ADR]

Classe 6.1 – Risco de intoxicação por inalação, contacto com a pele ou ingestão. Risco para o meio aquático ou para as redes de esgotos.

Classe 6.2 – Risco de infeção. Pode causar doenças graves nos seres humanos ou nos animais. Risco para o meio aquático ou para as redes de esgotos.


Incidentes envolvendo as classes 6.1 e 6.2 requerem especial atenção no que toca aos equipamentos de proteção individual (EPI): o uso de aparelho respiratório isolante de circuito aberto (ARICA) é obrigatório em qualquer resposta a estas classes, pelo menos até uma reavaliação das substâncias envolvidas. Deve-se sempre evitar o contacto com o material derramado, embalagens danificadas e com águas resultantes da extinção do incêndio.

Assim, os APC procurar confinar, na chegada ao teatro de operações, a dispersão do material derramado. A colocação de “oleados” pode ser equacionada para garantir esse isolamento e também para prevenir o contacto das substâncias com fenómenos meteorológicos (chuva, por exemplo).

Para a remoção do material disperso deve ser feita, sempre que possível, por elementos especializados.

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