Sólidos Inflamáveis

Vulgarmente conhecidos por sólidos inflamáveis, esta semana apresentamos as classes (4.1 / 4.2 / 4.3) que englobam matérias tão variadas como as sólidas inflamáveis, as auto-reativas, as que polimerizam, os explosivos dessensibilizados sólidos, as sujeitas a inflamação espontânea e as que libertam gases inflamáveis em contacto com a água.

Classe 4.1 – Matérias Sólidas Inflamáveis, Matérias Auto-reativas, Matérias que Polimerizam e Matérias explosivas dessensibilizadas sólidas

Sólidos que, em condições de transporte, estão prontamente combustíveis podendo iniciar ou alimentar uma combustão através de fricção; matérias auto-reativas ou capazes de polimerizar que apresentam uma reação fortemente exotérmica; explosivos dessensibilizados sólidos que podem explodir se não forem suficientemente diluídos.

Matérias auto-reativas, ao nível do transporte, têm a característica de serem termicamente instáveis e suscetíveis de sofrer uma decomposição fortemente exotérmicas, mesmo na ausência de oxigénio.

A decomposição destas matérias pode ser desencadeada pelo calor, pelo contacto com impurezas catalíticas (ácidos, metais pesados, bases, etc), pelo atrito e pelo choque. A velocidade da reação aumenta com a temperatura e varia consoante a(s) matéria(s) envolvida(s). Desta reação, sobretudo na ausência de inflamação, pode resultar a libertação de gases ou vapores tóxicos. Poderá ainda ocorrer uma explosão resultante da decomposição. Estas matérias estão repartidas por sete tipos, sendo que, para garantir a segurança no transporte, normalmente são dessensibilizadas através da adição de um diluente.

Matérias que polimerizam são aquelas que, sem estabilização, são suscetíveis de sofrer uma reação fortemente exotérmica, resultando na formação de grandes moléculas ou de polímeros. Algumas destas matérias estão sujeitas a controlo de temperatura no transporte.

Subdivisão da classe 4.1

F – Matérias sólidas inflamáveis, sem perigo subsidiário;

F1 – Orgânicas;

F2 – Orgânicas, fundidas;

F3 – Inorgânicas;

F4 – Objetos;

FO – Matérias sólidas inflamáveis, comburentes;

FT – Matérias sólidas inflamáveis, tóxicas;

FT1 – Orgânicas, tóxicas;

FT2 – Inorgânicas, tóxicas;

FC – Matérias sólidas inflamáveis, corrosivas;

FC1 – Orgânicas, corrosivas;

FC2 – Inorgânicas, corrosivas;

D – Matérias explosivas dessensibilizadas sólidas, sem perigo subsidiário;

DT – Matérias explosivas dessensibilizadas sólidas, tóxicas;

SR – Matérias auto reativas;

SR1 – Matérias auto reativas que não necessitam de regulação de temperatura;

SR2 – Matérias auto reativas que necessitam de regulação de temperatura;

PM – Matérias que polimerizam;

PM1 – Matérias que polimerizam e não necessitam de regulação de temperatura;

PM2 – Matérias que polimerizam e necessitam de regulação de temperatura.

Classe 4.1 – INTERVENÇÃO

Seguindo a doutrina da International Fire Service Training Association (IFSTA), e associando-a à versão mais recente do ERG, em caso de incidente com matérias da classe 4.1 e dividindo o cenário em situação com ausência e presença de fogo, pode-se considerar as seguintes opções para os agentes de proteção civil (APC) que atuem como primeiros intervenientes (“first responders“):

Incidente sem presença de fogo: isolar e evacuar 100 metros a favor do vento, eliminar todas as possíveis fontes de ignição e prevenir que as matérias se introduzam em esgotos, canais de água, caves e espaços confinados.

Incidente com presença de fogo: isolar e evacuar 800 metros em todas as direções, manter distância de segurança do foco do incêndio, proteger as exposições e deixar as matérias envolvidas serem consumidas pelo fogo. Pode ser estudada a hipótese de arrefecimento das matérias envolvidas usando combate defensivo, mas tal implicará a criação de diques de contenção. O uso de extintores portáteis pode ser equacionado para extinguir pequenos focos de incêndios, se adequados à classe e matéria envolvida.

Classe 4.2 – Matérias sujeitas a inflamação espontânea

Esta classe engloba matérias pirofóricas e as suscetíveis de auto-aquecimento. As primeiras (pirofóricas) compreendem as misturas e soluções que, em contacto com o ar, mesmo em pequenas quantidades, se inflamam num intervalo de 5 minutos.

O segundo tipo de matérias são suscetíveis de auto aquecimento, em contacto com o ar e sem fornecimento de energia, mas apenas se inflamam em grandes quantidades (vários quilogramas) e após longos períodos de tempo (horas ou dias).

O auto-aquecimento de uma matéria é um processo onde a reação gradual desta matéria com o oxigénio produz calor. Se a taxa de produção de calor é superior à taxa de perda de calor então a temperatura da matéria aumenta, o que, após um tempo de indução, pode levar à auto-inflamação e combustão.

Subdivisão da classe 4.2

S – Matérias sujeitas a inflamação espontânea sem perigo subsidiário;

S1 – Orgânicas, líquidas;

S2 – Orgânicas, sólidas;

S3 – Inorgânicas, líquidas;

S4 – Inorgânicas, sólidas;

S5 – Organometálicas;

S6 – Objetos;

SW – Matérias sujeitas a inflamação espontânea, que, em contacto com água, libertam gases inflamáveis;

SO – Matérias sujeitas a inflamação espontânea, comburentes;

ST – Matérias sujeitas a inflamação espontânea, tóxicas;

ST1 – Orgânicas, tóxicas, líquidas;

ST2 – Orgânicas, tóxicas, sólidas;

ST3 – Inorgânicas, tóxicas, líquidas;

ST4 – Inorgânicas, tóxicas, sólidas;

SC – Matérias sujeitas a inflamação espontânea, corrosivas;

SC1 – Orgânicas, corrosivas, líquidas;

SC2 – Orgânicas, corrosivas, sólidas;

SC3 – Inorgânicas, corrosivas, líquidas;

SC4 – Inorgânicas, corrosivas, sólidas.

Classe 4.2 – INTERVENÇÃO

Aplicando o enquadramento IFSTA+ERG agora em caso de incidente com matérias da classe 4.2 e mantendo a divisão do cenário em situação com ausência e presença de fogo, pode-se considerar as seguintes opções para os APC enquanto first responders:

Incidente sem presença de fogo: isolar e evacuar 300 metros a favor do vento, eliminar todas as possíveis fontes de ignição e prevenir que as matérias se introduzam em esgotos, canais de água, caves e espaços confinados.

Incidente com presença de fogo: isolar e evacuar 800 metros em todas as direções, manter distância de segurança do foco do incêndio, proteger as exposições e deixar as matérias envolvidas serem consumidas pelo fogo.

Classe 4.3 – Matérias que, em contacto com água, libertam gases inflamáveis

Matérias que, em contacto com a água, podem sofrer inflamação espontânea ou libertar gases inflamáveis em quantidades perigosas, podendo formar misturas explosivas com o ar.

As misturas resultas da reação com a água são facilmente inflamadas sob o efeito de qualquer fonte de calor, designadamente por uma chama nua, faíscas causadas por uma ferramenta ou lâmpadas desprotegidas.

Subdivisão da classe 4.3

W – Matérias que, em contacto com a água, libertam gases inflamáveis, sem perigo subsidiário, e objetos que contêm tais matérias;

W1 – Líquidas;

W2 – Sólidas;

W3 – Objetos;

WF1 – Matérias que, em contacto com a água, libertam gases inflamáveis, líquidas, inflamáveis;

WF2 – Matérias que, em contacto com a água, libertam gases inflamáveis, sólidas, inflamáveis;

WS – Matérias suscetíveis de auto-aquecimento que, em contacto com a água, libertam gases inflamáveis, sólidos;

WO – Matérias que, em contacto com a água, libertam gases inflamáveis, sólidas, comburentes;

WT – Matérias que, em contacto com a água, libertam gases inflamáveis, tóxicas;

WT1 – Líquidas;

WT2 – Sólidas;

WC – Matérias que, em contacto com a água, libertam gases inflamáveis, corrosivas;

WC1 – Líquidas;

WC2 – Sólidas;

WFC – Matérias que, em contacto com a água, libertam gases inflamáveis, inflamáveis, corrosivas;

Classe 4.3 – INTERVENÇÃO

Continuando a manter a parelha IFSTA+ERG agora em incidentes com matérias da classe 4.3 e preservando a divisão do cenário em situação com ausência e presença de fogo, pode-se considerar as seguintes opções para os APC enquanto first responders:

Incidente sem presença de fogo: isolar e evacuar 100 metros a favor do vento (o ERG aconselha iniciar com 50 metros e ir aumentando conforme o cenário), eliminar todas as possíveis fontes de ignição, manter material combustível à distância (madeira, papel, etc) e prevenir contacto com água ou materiais molhados. Em caso de fuga de pequenas quantidades de pó não corrosivos da classe 4.3, cobrir com um “oleado” de plástico para manter a matéria seca e prevenir que se espalhe.

Incidente com presença de fogo: isolar e evacuar 800 metros em todas as direções, manter distância de segurança do foco do incêndio, proteger as exposições e deixar as matérias envolvidas serem consumidas pelo fogo. Nunca utilizar água ou espuma em incêndios desta classe.

Sinalização das classes 4.1 / 4.2 / 4.3 [ADR]

Classe 4.1 – Risco de incêndio. As matérias inflamáveis ou combustíveis podem pegar fogo em caso de calor, faíscas ou chamas. Podem conter matérias auto-reactivas suscetíveis de decomposição exotérmica sob o efeito do calor, quando do contacto com outras substâncias (ácidos, compostos de metais pesados ou aminas), fricção ou choque. Isso pode ocasionar emanações de gases ou de vapores nocivos e inflamáveis ou auto-inflamação. Os recipientes de confinamento podem explodir sob o efeito do calor. Risco de explosão das matérias explosivas dessensibilizadas em caso de fuga do agente dessensibilizante.

Classe 4.2 – Risco de incêndio por inflamação espontânea se as embalagens forem danificadas ou se o seu conteúdo for derramado. Podem apresentar uma forte reação com a água.

Classe 4.3 – Risco de incêndio e de explosão em caso de contacto com a água.


As classes dos sólidos inflamáveis apresentam para os APC um grande número de perigos que devem ser avaliados de acordo com a matéria envolvida. Assim, é de extrema importância apurar-se o número ONU ou nome da substância presente.

Ao nível da intervenção, devido às diferentes propriedades que as matérias destas classes apresentam, pode-se verificar que a IFSTA coloca, para os APC envolvidos enquanto primeiros intervenientes, como última preocupação a extinção de incêndios. As suas prioridades deverão passar pelo estabelecimento de perímetros de segurança, o iniciar ou auxiliar das evacuações (se necessário), a proteção de exposições e procurar contactar especialistas. O ERG e/ou MIEMP prova ser, uma vez mais, uma excelente ferramenta.

intervir.pt | tome parte.


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