Veículos a gás natural

Com o advento das energias renováveis para uso doméstico, industrial e transportes… chegaram, como seria expectável, os veículos de transporte de mercadorias (e passageiros) com recurso a formas de energia mais limpas, nomeadamente o gás natural (GNV – gás natural para veículos). Estas viaturas podem ter sistemas de gás natural liquefeito (GNL), comprimido (GNC), combinado (GNL+GNC) ou híbridas (gás natural+diesel).

Embora estes camiões não sejam novidade em terras lusas – a tecnologia GNC foi introduzida em 2014 pelas Luís Simões – nos últimos tempos tornaram-se uma forte aposta no nosso mercado de transporte de mercadorias. Se considerarmos as duas formas de gás natural em veículos (comprimido e/ou liquefeito) encontramos, como utilizadores nacionais, a Transportes Luís Simões, a Valorsul, a Torrestir, a Havi Logistics, a Transportes Paulo Duarte, a Santos e Vale e a TJA, entre outros.

Com os principais “players” do transporte nacional de matérias perigosas a darem uso a estes veículo, é importante olhar para o que acrescentam para os agentes de proteção civil (APC) aquando de um incidente hazmat.

Gás Natural Liquefeito [GNL/LNG]

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O gás natural liquefeito (GNL é a sigla nacional, LNG é a internacional e também a identificação nos postos de combustíveis) é a escolha das transportadoras para veículos que necessitam de grande autonomia, isto porque o GNL permite ultrapassar os 1,000 km. A Iveco Stralis NP 460, por exemplo, com a configuração de dois depósitos de 540 litros, tem uma autonomia anunciada de 1,800 km.

Ao nível da segurança na intervenção é importante relembrar que a tecnologia GNL (UN 1972) envolve depósitos criogénicos que armazenam o gás natural a temperaturas abaixo dos -125ºC a 8 bar (valores variam de acordo com modelo). A tão baixa temperatura as suas características alteram-se: se à temperatura ambiente é mais leve que o ar (densidade 0,6), abaixo dos -104ºC torna-se mais pesado (densidade 1,4); devemos ainda ter em conta a taxa de expansão de 1:600.

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Comparativo da taxa de expansão do gás natural.

A gáslink, empresa responsável pelo gasoduto virtual Portugal Continental – Madeira, fez um vídeo onde apresenta algumas das características do GNL:

Gás Natural Comprimido [GNC/CNG]

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O gás natural comprimido (GNC é a sigla nacional, CNG é a internacional e também a identificação nos postos de combustíveis) não oferece tanta autonomia como o GNL e, por isso, está a ser mais aplicado em viaturas urbanas (autocarros, recolha de resíduos urbanos, transporte e distribuição capilar de mercadorias, etc).

O GNC (UN 1971) é armazenado sob uma pressão de 200 bar a +20ºC (valores variam de acordo com modelo) podendo os cilindros variar em capacidade, os novos autocarros da CARRIS e STCP, por exemplo, podem armazenar até 1,875 litros de gás natural.

O gás natural, após libertado do seu depósito, tende a evaporar rapidamente, o que em espaço aberto reduz a possibilidade de se tornar asfixiante, mas deve se avaliar as imediações do incidente por forma a garantir que não se armazena em zonas fechadas, nem se aproxima de fontes de calor.

Postos de abastecimento GNV

Para quem queira aprofundar o conhecimento sobre o uso do GNL e a rede de abastecimento de GNV, uma página com bons recursos é a do projecto LNG Blue Corridors. Embora em inglês, lá é possível encontrar a localização (à data do término do projecto) dos posto de abastecimento de GNL, assim como documentos de apoio que permitem conhecer melhor as propriedades do gás natural liquefeito. Outro sitio com informação semelhante é o da Natural Gas Vehicle Association – Europe.

Na página da Associação Portuguesa de Veículos a Gás Natural (APVGN) pode encontrar uma listagem actual dos postos de combustível de GNV em Portugal, assim como outras informações de interesse.

Conclusões

Os sistemas GNV anteriormente apresentados contam com diversos sistemas de segurança que vão desde o bloqueio do camião em caso de fugas, válvulas de alívio, entre outros. Estes sistemas, aliados às propriedades físico químicas do gás natural, garantem altos níveis de segurança. No entanto, este artigo, não pretendendo ser alarmista, procura consciencializar os APC para a presença de um perigo acrescido quando têm de intervir em incidentes envolvendo estas tecnologias.

O gás natural é mais limpo, económico e seguro quando comparado com a gasolina, o gasóleo e até mesmo com o GPL (gás de petróleo liquefeito). Ainda assim, dependendo da forma como é transportado, a sua presença num incidente pode acrescentar o perigo de queimaduras por frio, ocasionar um BLEVE (boiling liquid expanding vapor explosion) e, em último caso, pode funcionar como “iniciador” de uma cisterna.

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Simbologia harmonizada para GNC e GNL.

Tudo isto é agravado pela falta de sinalização obrigatória em local visível, que poderá comprometer a segurança de todos os envolvidos num teatro de operações. É vital que os APC estejam treinados para reconhecer os GNV e, ao suspeitar da sua presença, sejam capazes de manter uma ampla distância de segurança e garantam o arrefecimento dos depósitos, se necessário. Esta tarefa será sempre dificultada pelas coberturas que protegem (e ocultam) os depósito.

intervir.pt | tome parte.


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